O que você quer ser quando morrer?

Por Camila Appel

Novas alternativas surgem para o destino do corpo após a morte. São métodos que se propõem a serem mais ecológicos, como a biocremação, ou possibilitar a reutilização dos tecidos, como a plastificação,  mumificação ou criogenia (congelamento). Há também alternativas criativas para o destino das cinzas, como uma empresa especializada em levá-las ao espaço ou jogá-las na superfície da lua, e outra que as transformam em diamantes e quadros. Brincando com o título desse post, você pode virar uma múmia, uma joia, um quadro, um astronauta, ou desaparecer na natureza. São possibilidades mais acessíveis do que se imagina. Confira abaixo.

Legado acadêmico

Esse não é novo, mas é uma alternativa: Pode-se doar o corpo para estudo científico. Ele vai, por exemplo, para o Laboratório de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) a ser estudado pelos alunos de graduação e pós-graduação em Anatomia Humana. Veja como doar o corpo e perguntas mais frequentes nesse link. Também veja informações no site da prefeitura de SP, via esse link.

Biocremação

É um processo que ganha popularidade nos Estados Unidos. Ele se baseia em liquefazer o corpo, com hidróxido de potássio. A cremação ocorre com água e não fogo, por isso é chamado de “Flameless Cremation” (cremação sem fumaça). Os ossos, que não se tornam líquidos no processo, são cremados no processo normal. É mais ecológico, por soltar 75% menos dióxido de carbono na atmosfera e usa 30% menos energia, mas é mais caro. A funerária Anderson-MacQueen, na Flórida, já está usando o modelo de liquefação e coloca o impacto ambiental como sua maior justificativa. Outra forma que se propõe a ser uma alternativa mais ecológica é o “Promession”, já disponível na Grã Bretanha. Criado por Susanne Wiigh-Masak, ele congela o corpo a -18°C e depois o imerge em nitrogênio líquido a -196°C. O corpo se despedaça e os metais, como obturações dentárias e próteses, são extraídos e reciclados.

Criogenia

O futuro está aqui. A criogenia, congelamento do corpo, é um processo muito caro e ainda não é visto como uma alternativa real. Mas existem instituições procurando avançar nesse sentido. A ONG Alcor, nos Estados Unidos, congela corpos de pessoas com doenças incuráveis na expectativa de que no futuro, quando a cura for encontrada, a pessoa seja reavivada. Parece filme de ficção científica, mas a organização existe e já tem mil membros.

Plastificação

Outra maneira de preservar o corpo é a plastificação. Ela foi criada por Gunther Von Hagens e é possível doar o corpo através desse site para ser plastificado e usado em escolas de anatomia ou em  exposições como a que chegou ao Brasil em 2007, “Corpo Humano: Real e Fascinante”. A exposição foi polêmica e muitos se surpreendiam em ver o corpo humano do avesso, de forma tão real. O próximo pode ser o seu.

Mumificação

Se você é apaixonado pelos egípcios e não entende porque não existe mais o hábito de mumificar corpos, conheça a Summum (org) ou Summum (EUA), uma ONG americana especializada em mumificação. Apresentam-se como a única instituição especializada em mumificação moderna no mundo e fazem o serviço com pessoas e animais. A mumificação de pessoas custa US$67.000 e a de um gato de 4kg, por exemplo, US$4.000. Algumas agências funerárias americanas já oferecem essa opção, em parceria com a Summun.

Cinzas siderais

Ter suas cinzas lançadas no espaço não é tão inacessível quanto se imagina. A empresa americana Celestis, é especializada em levar as cinzas do morto para o espaço. Já fizeram 13 lançamentos, cada um levando várias urnas. Um deles, em 2009, levou as cinzas do criador de Star Trek Gene Roddenberry e sua esposa. Os custos partem de US$1.000 e dependem do tipo de lançamento: no mais barato, as cinzas passeiam ao redor da Terra e voltam para a família, nos mais caros, partindo de US$12.500, as cinzas são lançadas na órbita da Terra, na órbita ou superfície da lua ou no espaço profundo. Seu sonho de ser astronauta agora pode ser realizado, só que depois da morte.

Jóia rara

Uma empresa suíça, Argodanza, inovou ao transformar as cinzas em diamantes, possibilitando parentes e amigos levarem um  pedaço do ente querido em forma de pingentes, pulseiras ou anéis. No Brasil, ela trabalha em parceria com o Crematório Vaticano, em Santa Catarina. A descrição do procedimento e perguntas frequentes podem ser conferidas aqui.

O Cemitério e Crematório Horto da Paz em Itapecerica da Serra (SP) cria diamantes a partir do cabelo do falecido. São três opções de cores: champanhe, azul e incolor. Os valores  começam em R$1.800 (0,05 pontos, cor champanhe) até R$14.000 (0,70 pontos, cor champanhe).A alquimia é feita em parceria com a empresa Brilho Infinito, submetendo-se o carbono do cabelo a altas pressões e temperaturas. Um vídeo sobre esse serviço pode ser visto aqui, clicando em “ Diamantes Brilho Infinito” na aba esquerda.

 

Obra de arte

O Cemitério e Crematório Horto da Paz também oferece a transformação das cinzas em quadros. O método é chamado de arte Picto-Crematória. A artista plástica Cláudia Eleutério mistura as cinzas da cremação à tinta e pinta um quadro de preferência da família ou que o falecido escolheu antes de morrer. Um quadro custa em média, R$ 4.000 reais (tela de 50 X 70cm e moldura padrão) Um vídeo sobre essa técnica pode ser conferido aqui, clicando em “arte picto-crematória” na aba esquerda. Imagine ser fã de Gustav Klimt e pedir para ser eternizado nos contornos de “O Beijo” junto com sua esposa. Romântico, não?