Plutão – deus do submundo

Por Camila Appel
Foto: “Jupiter, Netuno, e Plutão”, pintura mural de Caravaggio (1597), no teto de um laboratório de alquimistas. As três divindades estão ao redor de uma esfera celeste que representa o cosmos. Dizem ser um auto-retrato de Caravaggio, nu.

No último post (veja aqui), publiquei uma entrevista, em vídeo, concedida pela astróloga Claudia Lisboa ao blog. Ela cita que Plutão é visto como o planeta da morte e do renascimento, por tanto da transformação. Achei interessante publicar mais um post continuando esse assunto, para entendermos o porquê dessa “fama” de Plutão.

Descoberto em 1930, o planeta foi nomeado Plutão em homenagem ao deus Plutão da mitologia romana – deus do submundo (de tudo que está embaixo da Terra) e da riqueza. Na mitologia grega, ele é conhecido como Hades, mas Hades também é relacionado à representação do submundo como um local – o mundo dos mortos.

Uma das histórias de como Plutão veio a ser deus do submundo segue assim. Quando Júpiter destronou seu pai Saturno, e o expulsou do céu, dividiu os reinos da Terra com seus irmãos Plutão e Netuno. Júpiter ficou com a superfície da Terra e os céus, Netuno ficou com os mares e Plutão com o subterrâneo, tornando-se o senhor do submundo. As correspondências gregas desses deuses seriam: Júpiter é o deus grego Zeus, Netuno é o deus grego Poseidon, Saturno é o deus grego Cronos e Plutão seria Hades. Essas relações são comuns de serem feitas, mas consideradas discutíveis para alguns estudiosos da mitologia grega.

O mito grego de Hades sugere que todos iam para o reino de Hades após a morte. As almas eram recebidas por um barqueiro, Caronte, que fazia a passagem para o reino, rodeado por rios turbulentos. Era necessário pagar a travessia, por isso o costume de enterrar os mortos com uma moeda na boca. Se não pudessem pagá-la, vagariam eternamente, daí a origem dos fantasmas. A entrada do reino era vigiada por um cachorro de três cabeças chamado Cérbero, que impedia fugas. As almas eram julgadas e assim direcionadas ao Campos Elísios (um local paradisíaco, destinado aos heróis, santos, sacerdotes, poetas e deuses) ou Tártaro (onde iam os criminosos, correspondente ao inferno do cristianismo). Por isso Hades é mais relacionado ao mundo dos mortos como um local.

Plutão também é associado à riqueza pois é no subsolo da Terra que encontramos minérios, a água dos rios que alimentam e geram eletricidade, alimentos, petróleo, insumos que sustentam a vida, como explica o artigo Plutão, o senhor da morte e da transformação. Plutão tem o poder de transformar, de destruir, para assim possibilitar uma nova vida, um renascimento.

 O símbolo astrológico de Plutão é composto por um círculo, um semicírculo e uma cruz, representando respectivamente o espírito, a consciência e a matéria. Pode ser interpretado como o espírito elevando-se acima do corpo (matéria) e da alma (consciência) ilustrando o princípio de renascimento e morte atribuído a Plutão.

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Símbolo astrológico de Plutão

 Na arte, Plutão é associado ao cubismo e ao surrealismo, que começaram a desconstruir a visão “normal” de mundo. Na medicina, ele é associado ao sistema reprodutivo, pelo seu poder de criação e renascimento.

O personagem da Disney Pluto foi nomeado em homenagem a Plutão e o elemento plutônio também, como uma tradição de se nomear elementos a partir de planetas recém descobertos.

Em outras culturas, há um deus para simbolizar a morte e a transformação, a destruição para o surgimento do novo. Na Índia, seu correspondente é Shiva. Representado como um homem com um tridente nas mãos, a arma utilizada para sua destruição, e uma serpente ao redor do pescoço, simbolizando que Shiva dominou a morte e virou imortal. O poder criador de Shiva é indicado por uma “linga” – símbolo fálico que representa o poder masculino de criação do universo.

 No Egito, seria Osíris, Deus do mundo do além, do submundo e dos mortos. Ele também é relacionado à fertilidade, por garantir a riqueza debaixo da terra. Normalmente representado por um homem de pele verde, com uma barba de faraó, parcialmente mumificado nas pernas, e com uma coroa rodeada por duas penas de avestruz. Tem nas mãos um cajado e um mangual (instrumento para se malhar cereais). O mangual é associado à fertilidade da terra e o cajado à realeza e ao Deus-pastor. Antes de morrer, Osiris era conhecido como “O bom Pastor”, título que dá margem a exercícios de comparações com Jesus Cristo. Um deles pode ser conferido aqui (em inglês).