Psicanálise e morte – assista

Por Camila Appel

Morte sem Tabu” se propõe a falar abertamente sobre morte, sua inserção no cotidiano e impactos na nossa sociedade. Para isso, defendo a ideia de que uma mudança cultural, indicada no post de abertura (veja aqui), pode se beneficiar com essa vertente do blog em trazer pessoas refletindo sobre a relação desse complexo tema com sua área de trabalho. A primeira entrevista publicada, com a astróloga Claudia Lisboa, abordou astrologia e morte (veja aqui). A segunda, com o psicanalista Eduardo Rozenthal, fala da relação com a psicanálise.

Eduardo Rozenthal é membro da Sociedade Psicanalítica Iracy Doyle (SPID) e Doutor em saúde coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj. É autor do livro“O ser no gerúndio: corpo e sensibilidade na psicanálise” pela editora Companhia de Freud.

Na entrevista abaixo, ele inicia com o que a psicanálise não é, para aí explorar sua definição e teorias de Freud, como a pulsão de morte e o trabalho de 1914 “Luto e Melancolia”. Segundo Eduardo, o luto é uma abertura para o prazer e para a alegria – “É preciso perder e ter consciência de que se perdeu (é um trabalho de luto) para então poder ganhar, vivendo com alegria e vivendo com prazer”, ele diz.

Para quem tiver interesse em ler um pouco mais sobre esse trabalho de Freud, recomendo o artigo da psicanalista Maria Rita Kehl: Freud Fundador.

Quando perguntei como é sua reação ao se deparar com um paciente em consultório, alegando medo, ou pânico da morte, Eduardo defende uma postura já muito debatida nessa área de pensamento, de que o analista não pode ser frio e não pode ser neutro. “Só o analista sendo ele mesmo, ele capacitaria neste encontro o analisante, para que ele também fosse ele mesmo e que não ficasse aquém do que ele pode, que ele conseguisse ir até o limite da sua potência”, ele diz.

Eduardo comenta sobre o pensador Epicuro, que se colocava contra o preconceito da morte, “relacionar-se com a morte é o melhor jeito de ocupar-se com a vida”.

Num âmbito mais pessoal, Eduardo tem a convicção de que a melhor maneira de envelhecer é procurar viver sem comparar o você de hoje, com o que você foi ontem. Fica aí a dica.