Oscar 2015: Escritor admite ter tentado o suicídio

Por Camila Appel

Os holofotes da mídia internacional voltaram-se para repercutir as palavras do escritor Graham Moore ao receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por “O Jogo da Imitação”. Foi considerado um dos principais destaques de uma cerimônia sem graça.

E o que Moore falou?

Ele admitiu ter tentado o suicídio aos 16 anos. Até onde eu sei, é a primeira vez que um artista faz esse tipo de declaração numa premiação do Oscar. Foi aplaudido de pé e visto como um dos discursos mais emocionantes da noite.

O tema é considerado tabu pela mídia, mas aos poucos cede espaço para discussão. Dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a crescente taxa de suicídio no mundo, especialmente entre jovens, têm gerado alarme. Assunto explorado aqui no blog no post “Mitos sobre o suicídio e como preveni-lo”.

Ele procurou passar uma mensagem aos jovens que possam sentir-se como ele quando tinha 16 anos, esquisito, diferente, um outsider – ele fala em “não pertencer a lugar algum”. A mensagem do escritor é “permaneça esquisito, permaneça diferente”.

A inspiração desse discurso parece ter raízes na vida de Alan Turing, personagem central de “O Jogo da Imitação”. O filme conta a história verídica desse matemático que acabou cometendo o suicídio em 1954.

Moore consegue expor um delicado sentimento de forma inspiradora, e por isso acho que merece ser divulgado. Como crítica ao depoimento de Moore, eu poderia dizer que não parece existir uma correlação clara entre o “se sentir diferente, um outsider” e o “tentar se matar”. Até porque não conheço uma só pessoa que nunca tenha se sentido assim na vida. Mas essa é uma fala pessoal e emotiva, tentando passar uma mensagem de esperança, que parece enaltecer o diferente, contra uma certa pressão para que todos sejam iguais, sigam os mesmos caminhos, vistam as mesmas roupas, enfim, pensem da mesma forma, e nesse sentido, é válida.

Segue uma tradução livre de parte do depoimento dele e o original em inglês. 

“Quando eu tinha 16 anos, tentei me matar porque eu me sentia esquisito e me sentia diferente e sentia que eu não pertencia a lugar algum. E agora que eu estou aqui, eu gostaria de dedicar esse momento para os jovens que estão por aí se sentindo estranhos, ou diferentes ou que não se encaixam em lugar algum. Sim, vocês se encaixam! Eu prometo que sim. Permaneçam esquisitos, permaneçam diferentes. E quando chegar a sua vez de estar aqui nesse palco, por favor passe a mesma mensagem para a próxima pessoa que vier depois de você”.

“I was 16 years old,I tried to kill myself because I felt weird and I felt different and I felt like I did not belong. And now I’m standing here and so I would like for this moment to be for that kid out there who feels like she’s weird or she’s different or she doesn’t fit in anywhere. Yes, you do. I promise you do. You do. Stay weird, stay different. And then when it’s your turn and you’re standing on this stage, please pass the same message to the next person who comes along” – Graham Moore

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http://www.nytimes.com/live/oscars-2015-live-blog/adapted-screenplay/

Discurso de Graham Moore ao receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por “O Jogo da Imitação)