Ministério da Cultura da China reprime strippers em funerais

Por Camila Appel

Na última quinta feira (23), o Ministério da Cultura da China anunciou esforços para reprimir uma atividade pouco conhecida, mas habitual em áreas rurais chinesas: a contratação de strippers para funerais. O objetivo desse costume heterodoxo seria atrair mais público ao evento. O anúncio da autoridade chinesa detalhou dois casos como exemplo, indicando ser uma prática que distorce o valor cultural da indústria de entretenimento. Também afirma ser um ato bárbaro. Os organizadores e as strippers dos dois casos citados foram punidos com uma detenção de quinze dias e multa de $11.300 dólares.

Uma reportagem da “Xinhua News Agency” comenta que o striptease é ilegal na China e que as performances exóticas nos funerais salientam as tendências da vida moderna na China, como um exemplo de vaidade e esnobismo prevalecendo sobre as tradições.

Veículos internacionais repercutiram o anúncio, como o jornal britânico “Independent”, afirmando que ter um público grande no funeral é um sinal de honra para o morto na China. A “CNN” traz outro motivo para essa prática, que seria “aumentar a diversão”, e divulga fotos de um evento desses.

O portal de notícias “Huffington Post” também menciona que o respeito pelo morto é medido pela quantidade de pessoas que vão ao seu funeral. Por isso, a contratação de performers é comum e acontece há décadas. No vídeo da “National Geographic” divulgado na página da reportagem, um falecido, antes de morrer, em Taiwan teria avisado seu amigo de que gostaria de assistir à dança e por isso pediu um buraco em seu caixão, para que pudesse espiá-las. Me lembrou Nelson Rodrigues com a sua famosa frase: “sou uma menino que vê o amor pelo buraco da fechadura”. Mas numa versão do além. O vídeo mostra seu funeral e tem realmente um buraco no caixão. Em Taiwan, o costume de contratar strippers em funerais teria iniciado na década de 80, conforme afirma a reportagem.

Marc L. Moskowitz, um antropologista e diretor do documentário “Dancing for the Dead: Funeral Strippers in Taiwan” (“Dançando para os mortos: strippers funerais em Taiwan”), diz que a nudez total deixou de ser comum a partir de meados da década de 80, quando foi declarado sua ilegalidade.

Na reportagem de um blog do “Wall Street Journal”, é citado que fotos de uma dançarina num funeral na cidade de Handan, retirando seu sutiã, circularam muito na internet criando um “vexame” para o governo. Foram encontrados uma dúzia de grupos que oferecem esse tipo de performance para funerais em cada vila do país, com uma média de 20 shows por mês, num custo de $322 dólares cada.