Um depoimento sobre mediunidade

Por Camila Appel

Pedro Fagundes Azevedo, jornalista e ex-presidente da Legião Espírita de Porto Alegre, enviou o depoimento abaixo ao blog. Ele relata uma experiência como dialogador numa sessão mediúnica. Pedro me contou, por e-mail, que o dialogador é aquele que “troca ideias com o espírito que está falando através do medium psicofônico, com o objetivo de auxiliá-lo a sair de uma situação de angústia e sofrimento”.

Envie seu depoimento ao blog escrevendo para mortesemtabu@gmail.com. Os relatos das mais diversas crenças e opiniões serão aceitos, sem discriminação.

Estou em licença-maternidade. Para conhecer mais sobre meu trabalho neste blog, navegue pelas abas laterais. Há cem artigos publicados, separados por temas. Um abraço, Camila

Um depoimento sobre mediunidade

“Em situação de extrema gravidade, com muita falta de ar, o paciente está na UTI com um tubo na traqueia para possibilitar a respiração mecânica. Passam os minutos e, ao fazer um novo exame, o médico plantonista constata o óbito. Diz aos auxiliares que o enfermo morreu, autoriza o desligamento dos aparelhos e a retirada do tubo de respiração artificial. Acontece,  porém, que esse paciente não sabia que a vida continua após a morte. E assim, agora como espírito, com grande aflição, reage violentamente às determinações do médico. Sente-se vivo e  preso àquele angustiante quadro mental. E com muita raiva por terem retirado a intubação e aumentado sua falta de ar. De nada adianta a aproximação de  espíritos de luz,  tentando explicar sua nova situação e confirmando: você já morreu. Ele não acredita em ninguém – pois tem certeza de que a morte acaba com tudo e não quer aceitar que agora está separado  do corpo material. (Este, conforme diz a Bíblia , “é pó e ao pó retorna”).

Nesse estado de profunda confusão mental, o espírito é trazido por outros espíritos socorristas  à nossa sessão mediúnica de caridade, manifestando toda sua revolta e seu mal-estar enquanto fala, incorporado no médium de psicofonia. Então, eu, como dirigente dessa sessão e dialogador com os espíritos,  percebo que pouco adiantaria, no momento, confirmar que ele já morreu, pois isso iria aumentar ainda mais a sua revolta e perturbação. Prefiro dizer que o seu tratamento mudou por completo e que ele agora está aos cuidados de uma outra equipe de médicos e enfermeiros. Beneficiado pelas preces silenciosas do grupo  que está sentado em torno de uma mesa e também  pelo psiquismo sadio da médium através da qual está falando, o espírito passa a sentir-se melhor, mais tranquilo e, aos poucos, vai percebendo a sua nova realidade. Já consegue ver e falar com o nosso dirigente espiritual, que era médico na última vida material em Porto Alegre e continua sendo médico do lado de lá, com o mesmo jaleco branco que usava quando encarnado. Depois dessa melhora, o paciente é encaminhado a uma das várias dependências do hospital existente no plano espiritual. Aí seu o tratamento se completará com o amor de Jesus e todas as explicações necessárias quando chegar o momento adequado. Ao ter alta, será levado a uma das “muitas moradas da casa do Pai”, de que nos fala o Evangelho, onde vai entender o resultado da semeadura das suas ações na vida material recém encerrada. E também vai se preparar para uma nova reencarnação que lhe será mais útil e mais espiritualizada.

Estas sessões mediúnicas de caridade nas casas filiadas às Federações Espíritas dos vários estados brasileiros destinam-se ao intercâmbio com os espíritos (que nada mais são do que pessoas comuns, fora do seu corpo material). Servem para socorrer aqueles espíritos que se encontram perturbados e/ou em sofrimento, nas mais variadas situações, como no exemplo aqui descrito. São reuniões privativas, em face do seu caráter de cura e orientação, requerendo conhecimento e preparo de todos os participantes. Ocorrem todas as semanas nos centros kardecistas, com a maior naturalidade, distantes de qualquer sensacionalismo ou curiosidade. Sem qualquer outro objetivo que não seja o de fazer o bem, sem olhar a quem e sem nada esperar em troca. É a prática comum do “ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a ti mesmo”.

Recomendo a leitura do livro “Diálogo com as Sombras”, de Hermínio Miranda, disponível por inteiro na Internet. O autor   narra  as tentativas de auxilio fraterno a espíritos obsessores, perseguidos, juristas, religiosos, materialistas, vingadores, intelectuais, ateus, magos e feiticeiros, etc. Somos, aproximadamente, 7 bilhões de espíritos encarnados na Terra que constituem a população visível do planeta. Mas, André Luiz (espírito) nos informa, através de Chico Xavier, que a população desencarnada que habita em torno da Terra, (considerando as diversas moradas espirituais circunvizinhas e os diversos estágios evolutivos) é cerca de 5 vezes maior que a população encarnada. Ou seja, a informação é de 1964, mas se pudéssemos atualizar os números: se hoje estamos em 7 bilhões de encarnados, a população do plano espiritual, falando apenas das proximidades da Terra, beira os 35 bilhões, em permanente idas e vindas de uma dimensão a outra. Se a humanidade terrena, analfabeta em termos de espiritualidade, pudesse compreender essa realidade, a vida seria bem melhor neste planeta”.

 Por Pedro Fagundes Azevedo, jornalista, ex-presidente da Legião Espírita de Porto Alegre. 

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