A morte de Lou Reed

Por Camila Appel

“Hey baby, take a walk on the wild side” é o refrão da clássica música de Lou Reed, morto há quase 3 anos. Sua esposa, Laurie Anderson, contou em uma entrevista à revista Rolling Stones americana, como foi acompanhar os últimos momentos do homem que mudou a história do rock e foi seu companheiro por 21 anos. David Bowie chegou a reconhecê-lo como a pessoa mais importante do rock’n roll.

Lou morreu de câncer no fígado, aos 71, agravado por outras complicações, como uma diabetes avançada. Praticantes de Tai Chi, Laurie menciona um ensinamento que foi importante para o casal nesses últimos anos da doença: “você precisa dominar a habilidade de se sentir triste, sem ficar realmente triste”. Laurie não desenvolveu o assunto, mas eu posso interpretar isso como a postura de sentir tristeza sem ser dominado por ela. Deixar o sentimento ir e vir, ser passageiro como a chuva. A água molha e seca, ela corre, não estagna.

Lou teve um transplante de fígado que funcionou por um breve momento mas não o suficiente. Quando o médico disse que ele estava sem “opções”, não se resignou e, segundo sua esposa, só aceitou a morte na última meia hora de vida. E se entregou completamente. Eles estavam em casa, juntos.

Em sua última entrevista, um mês antes de morrer, Lou conta que dorme com a guitarra no quadril e oferece respostas poéticas, como “eu toco com o coração”. Ele chama atenção para um fato bonito da natureza humana: “O primeiro som que qualquer pessoa se lembra é o batimento do coração da mãe. Você vai se desenvolvendo, desde um amendoim (o primeiro formato do feto se assemelha a um amendoim), escutando um ritmo”.

Laurie testemunhou a morte de Lou, e sobre essa experiência diz:

“Como praticantes de meditação, tínhamos nos preparado para isso – como mover a energia do umbigo para dentro do coração e sair pela cabeça. Eu nunca tinha visto uma expressão tão cheia de encantamento como a de Lou quando morreu. Suas mãos estavam fazendo a forma fluxo-de-água 21 do Tai Chi. Seus olhos estavam bem abertos. Eu segurava em meus braços a pessoa que eu mais amava no mundo e conversava com ele enquanto ele morria. Seu coração parou. Ele não estava com medo. Eu pude andar com ele até o fim do mundo. Vida – tão linda, dolorida e fascinante – não tem como ser melhor do que isso. E a morte? Eu acho que o propósito da morte é a libertação do amor”.

Outra companheira que acompanhou a morte do marido foi Laura, esposa de Aldous Huxley. Ela relata, em uma carta, a experiência de ter injetado LSD em Aldous em seus momentos finais e oferecer ao amado uma “última viagem”.

Leia mais no post: Morte psicodélica – drogas alucinógenas para pacientes terminais e a morte de Aldous Huxley.

Outro artigo recomendado: EQM: experiências de quase morte