Piscina na Inglaterra é aquecida por crematório

Por Camila Appel

O município de Redditch, na Inglaterra, tem uma piscina pública aquecida pelo crematório local. O ar quente que sai do crematório é captado por canos que alimentam o prédio do centro esportivo e aquecem a área da piscina.

Em entrevista ao blog, Richard Boyd, do Conselho do Município de Redditch, disse que a ideia de usar o calor de crematórios para aquecer prédios no Reino Unido é popular. Mas ele afirma ser o primeiro centro esportivo a colocá-la em prática. Ele usa outras formas de economia de energia, como luz de baixo gasto energético e painéis solares.

Quando foi instalado, há 5 anos, o projeto gerou polêmicas e foi considerado ofensivo, mas hoje em dia é bem aceito e recebeu o prêmio nacional de meio ambiente “Green Apple Environment Award”. Essa premiação se propõe a valorizar práticas de impacto positivo. Boyd diz economizar até 20% de energia que seria usada para aquecer a área de suas piscinas.

Em coluna recente na Folha, Mariana Lajolo escreveu: “A natação não é um esporte barato. As pessoas começam a praticá-lo em clubes ou escolinhas, geralmente pagas. Não dá para nadar em qualquer lugar, manter uma piscina custa caro. Fatores que fazem com que não seja um esporte de prática mais disseminada entre os mais pobres”. Quem sabe se essa iniciativa fosse usada no Brasil, as piscinas poderiam ser mais baratas e mais acessíveis. Claro que não é a solução, mas poderia ser o começo de um debate.

Esse pensamento poderia ser expandido, porque não são apenas piscinas que podem se beneficiar do calor de crematórios. Em Oslo, por exemplo, a dona de um crematório chamado Alfaset, ofereceu usar o calor de seus fornos para alimentar o sistema de aquecimento público da cidade e esquentar casas. Com o argumento de empecilhos éticos e práticos, sua oferta foi recusada.

Por outro lado, é algo bem comum e aceito na Dinamarca. O Conselho de Ética Dinamarquês (um grupo de filósofos e cientistas que aconselham o parlamento), declarou, em 2012, não haver questões éticas que pudessem desencorajar a reciclagem do calor emitido por crematórios e recomenda ações nesse sentido. O Crematório Ringsted, localizado perto de Copenhagen, teria a capacidade de aquecer 600 casas ao seu redor, por exemplo.

Há desdobramentos que podem inibir esse uso. Um grupo lobista localizado na cidade de Haia (Holanda), chamado “Federação Internacional de Cremação”, não aconselha a prática de comercializar produtos provenientes da cremação. Um dos motivos é que a venda de metais retirados das cinzas (como próteses de joelhos e quadris, que não carbonizam) é feita sem autorização da família.

No município de São Paulo, a cremação é um monopólio da prefeitura. Por isso, quem desejar contratar um crematório particular, deve ir a cidades dos arredores, como Itapecerica da Serra, onde há o Crematório Horto da Paz. Acredito que a quebra desse monopólio seja importante para consolidarmos um mercado de melhor qualidade, começarmos a debater os direitos dos clientes (a família do morto), aumentarmos a informação sobre esse tipo de serviço e, assim, quem sabe, a demanda por ele.

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