Vivemos em um mundo simulado?

Por Camila Appel

O criador do PayPal, Elon Musk, fez uma afirmação polêmica em certa entrevista:“A chance de não vivermos em um mundo simulado por computador é uma em bilhões”. Para minha surpresa, Elon Musk não só pensou e pensa nisso constantemente, como considera a simulação uma probabilidade real.

O Bank of America foi mais longe e afirmou, em comunicado oficial, acreditar haver de 20 a 50% de chance de estarmos vivendo em uma simulação do tipo Matrix. O relatório, enviado a clientes, também diz que, se o mundo for mesmo uma simulação, nós nunca saberemos disso. E aborda a possibilidade dessa simulação ser feita por nossos descendentes.

Esse é o tipo de conversa que temos em um bar com metade da mesa torcendo o nariz para o esquisito que levantou o assunto. Só que Elon Musk vai bem além da figura do adolescente apaixonado pela trilogia Matrix. Ele é um empreendedor visionário, fundador da Tesla Motors – de automóveis elétricos, da XSpace – seu projeto de construção de foguetes reutilizáveis, e da SolarCity – empresa voltada para energia solar. Em 2015 lançou a OpenAI – empresa sem fins lucrativos que se propõe a democratizar o acesso à inteligência artificial.

O homem que inspirou Robert Downey Jr para seu “Homem de Ferro” , construiu um império de 44 bilhões de dólares apostando em uma economia de energia totalmente sustentável, renovável e interplanetária. Recentemente, Musk apresentou seu plano para colonizar Marte a partir de 2024, com o envio de missões tripuladas a bordo de naves da SpaceX e a criação de uma cidade autossustentável no planeta.

Sobre a questão do mundo simulado, Musk justifica seu raciocínio: “Há 40 anos, tínhamos o Pong – dois retângulos e um ponto (o videogame que inaugurou a indústria de games), hoje temos simulações em 3D com milhares de pessoas jogando simultaneamente, e em breve teremos realidade virtual, realidade aumentada… é uma tecnologia que se aprimora a cada ano. Se assumirmos um mínimo de taxa de melhoria no futuro, os games se tornarão indistinguíveis da realidade”.

Seu conceito é estatístico. Se o homem for capaz de criar uma inteligência idêntica a ele mesmo (hipótese da singularidade tecnológica), essa inteligência fará o mesmo reproduzindo milhões de realidade simuladas, uma dentro da outra. A chance de estarmos na realidade original seria muito baixa.

Musk considera provável já estarmos vivendo nessa tipo de imersão, mas obrigatório que ele faça parte do nosso futuro. Ele chegou a dizer: “Há duas opções: ou criaremos um mundo virtual indistinguível da realidade ou a civilização deixará de existir” – se não chegarmos a esse avanço é porque algum evento calamitoso brecou nosso desenvolvimento e nos extinguiu.

Essa discussão encontra aparato acadêmico no campo do transumanismo. O filósofo Nick Bostrom (leiam esse artigo aqui), da Universidade de Oxfort, Inglaterra é um dos grandes nomes da área. Autor do best-seller “Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies” (2014), ele defende existir 20% de chance de já estarmos imersos em uma simulação criada por nossos descendentes.

O vídeo abaixo aborda o modelo das três possibilidades para o futuro da humanidade.

Há diversos vídeos no Youtube buscando explicar a teoria do mundo simulado. Separei esse daqui para vocês.

Musk já disse, também, que a ausência de notícias de vida fora da Terra é um argumento a favor da simulação. “É como quando você está jogando um game de aventura, você consegue ver as estrelas no fundo mas não consegue alcançá-las”. O Paradoxo Fermi tenta traduzir o conflito entre a alta probabilidade de vida extraterrestre com a falta de evidências.

Outro que trouxe leve credibilidade aos “doidos” da ficção cientifica foi Stephen Hawking. O famoso cientista disse que nosso planeta deve se preparar para uma invasão alienígena.

Um ponto que me chama atenção é imaginarmos alienígenas como uma referência de nós mesmos, como uma projeção humana. Consideramos alienígenas como “um reflexo em um espelho distorcido”, como argumenta esse vídeo aqui. Buscamos sinais de seres que se comportariam como nós, se comunicariam como nós e precisariam dos mesmos nutrientes para sobreviver. Mas “é possível encontrarmos ideias mais criativas de imaginar como alienígenas inteligentes possam existir, ainda que não sejam detectáveis por nós”.

Estranho, não?