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A morte e o sexo

“La petite mort”, dizem os franceses quando se referem ao orgasmo. Nele há o escape de uma vida e o instinto de criação de outra. Os amantes esvaziam-se. Exaustos (nas nossa melhor imaginação),  contemplam a finitude e podem sentir a melancolia de um fim. Se o orgasmo é uma pequena morte, sexo é morrer junto.(…)

O luto de Lula

“- Todos os que eu amava já se foram… e isso dói terrivelmente. – Eu posso fazer esse sentimento desaparecer, se você quiser. – Por que eu iria querer isso? A dor, as saudades, é tudo o que me restou deles… Você acha que a dor o fará menor por dentro, fará seu coração partir,(…)

Sobre o massacre em prisão do Amazonas

O recente massacre em um presídio no Amazonas remete a uma discussão sobre as condições de vida que o sistema penitenciário oferece. Só naquele presídio, havia três vezes mais presos do que sua capacidade, classificado como péssimo para “qualquer tentativa de ressocialização, com presos sem assistência jurídica, educacional, social e de saúde”, pelo CNJ (Conselho Nacional(…)

Mortes emblemáticas em 2016

Como é difícil analisar de forma objetiva quais foram as mortes que tiveram mais destaque no ano, vou aqui assumir uma subjetividade e falar sobre as que foram, para mim, emblemáticas. Considero emblemáticas porque mobilizam a sociedade, geram textões no Facebook, alimentam colunistas e mesas de bar. São usadas para questionar a existência do mundo(…)

A esperança e a amargura

“A esperança e a amargura… são parecidas”, escreve Milton Hatoum em “Dois Irmãos” – livro que estreará em formato de minissérie na TV Globo, em janeiro. Passei alguns dias tentando “não sentir” o mundo. Meu objetivo era tentar não alimentar esperanças, nem amarguras. Estou acostumada a ler jornal com um lenço na mão de tanta(…)

Uma foto horrorosa

Tem uma foto de roubar o ar na capa da Folha de hoje. Uma menina chamada Amira, de 15 meses, ensanguentada, morta. A legenda não deixa claro se o homem ao lado é seu pai, só comenta que ele “lamenta”. Lamentamos todos. Acho importante jornais escancararem o horror diante do leitor. Há efeitos colaterais tolos.(…)

Cai o rei

Após o efeito da renovação da meia-noite do Reveillon, Cinderela volta à realidade. Acessa seus e-mails e lê jornais. E o que ela vê? Ela vê que vivemos um momento visceral. As entranhas das instituições finalmente dão as caras. As pessoas parecem dizer mais o que pensam, o que sentem. Com a ajuda da fácil(…)